Algas para enfrentar a Aids

    

Algas marinhas do litoral brasileiro po­derão vir a ser uma importante fonte para o tratamento e a prevenção da Aids nos pró­ximos anos. Três substâncias – de um total de 22 testadas -, obtidas a partir dessas algas, mostraram promissora atividade ini­bitória do processo de replicação do vírus HIV em suas três fases: na transcriptase re­versa, na protease e, o mais importante, na morfogênese, o que nenhum medicamento hoje existente no mercado faz.

       Por essa razão, o Brasil poderá ter, em breve, seu primeiro antirretroviral, refor-çando o grupo das dezessete drogas (todas importadas) que compõem o pro­focolo de tratamento do Ministério da Saúde. O anúncio foi feito por pesquisa­dores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), da Fundação Ataulpho de Paiva (FAP) e da Universidade Federal Fluminense (UFF) [ … ]. “Esta poderá ser uma nova alternativa no arsenal terapêutico contra a Aids, sobretudo para casos de resistência aos medicamentos tradicionais”, afirmou o imunologista Luis Roberto Castello Branco, chefe do Laboratório de Imunologia Clínica do IOC.

     Nos testes pré-clínicos – in vitro (em tubos de en­saio e com tecidos humanos) e in vivo (camundongos) -, uma das substâncias, em particular, identificada a par­tir de uma alga encontrada no atol das Rocas, apresen­tou taxa de eficácia em sua ação antirretroviral de 98%, mesmo se aplicada em baixas concentrações.

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   Embora os três compostos tenham demonstrado ati­vidade inibidora da transcriptase (enzima que age na primeira fase do ciclo replicativo viral) , essa mesma subs­tância se revelou eficaz na inibição da protease (que age no final do ciclo replicativo) e na morfogênese (fase fi­nal, quando há a maturação viral). Isto é o que, caso seja transformada em medicamento, fará com que o fármaco brasileiro se destaque.

    “Diferentemente dos inibidores disponíveis atualmen­te, percebemos que essa substância tem uma função de atingir os três alvos: a transcriptase, a protease e a mor­fogênese. Ou seja, ela bloqueia a fase inicial e afinal”, explicou o virologista Cláudio Cirne, da Func.ação Ataulpho de Paiva, à Agência Fapesp.

    “A grande falha dos medicamentos atuais é que eles não conseguem bloquear o escape do vírus, devido  sua capacidade de mutação. Então, se existe uma substân­cia que bloqueia a fase final, inibindo também a morfo­gênese, sua possibilidade de replicação será mínima. O bloqueio da morfogênese faz com que o vírus fique em uma forma completamente desorganizada em sua estru­tura”, afirmou. O pesquisador observa, no entanto que o bloqueio da morfogênese não significa a erradicação do vírus no organismo. “O HIV é um vírus com forte capacidade de mutação, por isso ele não vai deixar de existir”, salientou.

    Além da ação antirretroviral, a substância mais pro­missora das três identifica das apresentou toxicidade praticamente nula. Esta é outra característica que a dife­rencia dos compostos atuais, os quais, embora eficazes, são extremamente tóxicos e caros

 

Perguntas

  1. Explique como e em quais fases do ciclo replicativo do vírus HIV atua a droga antiviral em teste.
  2. Entre as substâncias pesquisadas por esse grupo de cientistas, uma delas é considerada mais promissora por causa de sua ação inibidora sobre a fase da morfogênese. Explique por quê?
  3. Descreva duas outras vantagens do desenvolvimento desse possível antirretroviral nacional.

Sobre Kbral

Cursando Arquitetura e Urbanismo FAACZ - Aracruz - ES
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